O Racismo no esporte

Posted Postado por Martinho em Artigos     Comments Sem Comentários
nov
22

racisme

Importa termos consciência sobre as nuances em que se dá o racismo no esporte.

Após o início da “era dos descobrimentos”, os europeus constataram a diversidade de culturas e etnias entre os povos.

Uma das consequências desse contato foi a de que alguns passaram a repudiar culturas com as quais não se identificavam, levando o renomado antropólogo François Laplantine  a denominar esse movimento de “recusa do estranho”.

Essa ideologia menosprezava e ainda menospreza, tudo o que não seja compatível com um modelo de cultura previamente escolhido por quem discrimina.

E o racismo constitui-se na vertente mais repugnante dessa forma de pensar, por preconizar que a formação anatômico-fisiológica das pessoas permite que uns sejam mais “humanos” que outros.

Diga-de passagem que o próprio nome “racismo”, é contraditório em seus próprios termos,  vez que a biologia e a genética são uníssonas em afirmar que diferenças étnicas entre seres humanos não produzem outras raças dentro da única raça que é o “homo sapiens”.

O fato é que, depois de um período de aparente esquecimento na segunda metade do século XX, a xenofobia ressurge em alta escala no século XXI, diante da crise econômica mundial, acompanhada de forte desemprego.

Sua repercussão no esporte foi imediata, já que este segmento, mais do que qualquer outro, gera contatos entre componentes das mais diferentes etnias, classes, origens e religiões.

E a exteriorização do preconceito neste setor vem se dando especialmente por gestos, cânticos e xingamentos de torcedores nos mais variados cantos do planeta.

Entretanto, o curioso é que esses atos são cometidos geralmente com uma ressalva: dirigem-se essencialmente contra os atletas adversários, mesmo sabendo os agressores que há desportistas de diferentes etnias em sua própria equipe.

O que resulta desta observação é que a discriminação racial é utilizada também com o fim de desestabilizar emocionalmente o adversário, de forma a obter uma vantagem indevida na disputa.

Ou seja, como se não bastasse, o racismo no mundo esportivo tem ainda esta agravante, igualando-se às piores e mais reprováveis formas ilícitas de obtenção de vantagem desportiva como o doping, a corrupção, fraudes, ameaças, etc.

A beleza no triunfo esportivo (e, porque não dizer, na própria vida) só existe quando atingida pelos próprios méritos, e não na conquista a qualquer preço, ainda mais quando ajudada por tamanho desrespeito ao adversário.

Nunca nos esqueçamos que as grandes vitórias também advieram não só do talento, mas sobretudo do esforço pessoal, da garra e determinação dos competidores que se superam a cada dia na obtenção de suas conquistas.

Eis o exemplo que fica: os verdadeiros vencedores sempre ganham na “raça”: jamais pelo racismo.

Comentários da página